O presidente do Egito, Mohamed Mursi, discursou nesta quinta-feira em rede nacional para convidar a oposição a dialogar, a partir de sábado (8), no palácio presidencial, na periferia do Cairo. A região do palácio tem sido o principal palco dos enfrentamentos entre manifestantes a favor e contra Mursi, nos últimos dias. Nesta noite, o confronto deixou cinco mortos e mais de cem feridos.
Durante o dia, tanques do Exército, veículos blindados e barricadas isolaram o palácio, e o Exército repetiu pedidos para que os manifestantes se mantivessem distantes.
No discurso, Mursi afirmou que as discussões com a oposição deverão ser centradas na elaboração de uma lei eleitoral e de um roteiro a se seguir após o referendo da nova Constituição, marcado para o próximo dia 15. "Respeitamos a liberdade de expressão pacífica, mas não permitiremos jamais que pessoas participem de assassinatos e atos de sabotagem", disse.
| AFP | ||
| O presidente egípcio, Mohamed Mursi, durante pronunciamento em que pediu à oposição diálogo |
Ao menos um dos movimentos de oposição rejeitou, no entanto, a oferta de de diálogo e confirmou que estará presente no protesto contra o atual regime nesta sexta. O grupo chamado 6 de Abril, que teve um papel de destaque na deflagração da revolta contra Hosni Mubarak, fez o anúncio em sua página do Facebook, afirmando que o protesto desta sexta será um "cartão vermelho" para Mursi.
Pouco antes do pronunciamento do presidente, centenas de manifestantes tinham invadido e incendiado a sede da Irmandade Muçulmana no Cairo. Em seu site, o grupo, a quem Mursi é ligado, qualificou a ação de agressão terrorista". Não há informações sobre vítimas. De acordo com a agência oficial egípcia Mena, os manifestantes destruíram as vidraças e a mobília.
O ataque ocorreu a despeito de um cordão policial, e o secretário-geral da Irmandade, Mahmoud Hussein, responsabilizou o ministro do Interior, Ahmed Gamal.
Outros grupos ainda incendiaram o escritório do Partido Liberdade e Justiça (PLJ, braço político da Irmandade Muçulmana) no bairro de Zahara al Maadi, ao sul da capital, e assaltaram a sede do PLJ, no bairro de Kit Kat. Ontem (5), as sedes da Irmandade nas cidades de Ismailiya e Suez também foram incendiadas.
FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1197311-presidente-egipcio-cerca-palacio-com-tanques-e-convoca-oposicao-ao-dialogo.shtml
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